A primeira infância infantil é uma fase cheia de descobertas incríveis que se iniciam pela boca do bebê, a chamada fase oral. Porém entre 1 e 3 anos surgem as temidas e intensas mordidas que deixam os pais envergonhados e preocupados. Mas quais seriam os motivos que levam as crianças a morderem os pais e outras crianças?

Quando observamos um bebê com 4 meses de idade já podemos perceber o quanto as suas habilidades de levar tudo a boca é inata. As crianças começam a experimentar o mundo através do paladar e querem sentir tudo: gostos, texturas, tamanho, formato, dureza, peso.

Se pensarmos na maneira de comunicação dos bebês, por não dominarem a linguagem verbal, utilizam muito da sua linguagem corporal, por isto são os maiores especialistas nela, observam demais a maneira de interação dos adultos para depois reproduzirem.

Ao surgirem os dentinhos, morder também se transforma em uma forma de conhecer de que é feito tudo no mundo.

É por isto que a mordida é uma expressão de comunicação que vai além da raiva, irritação e insatisfação. Nenhum pai sente-se bem em saber que seu filho está mordendo outras crianças na escola, por exemplo. Entretanto, mordendo é possível observar a reação do outro a dor que é uma novidade, como o susto, a cara de espanto, o tom de voz e até mesmo o choro.

Muitas pessoas brincam com os bebês ensaiando mordidas, encostando os dentes em seus braços, pernas, barriga como expressão de carinho e eles geralmente adoram estas interações. Mas lembram que eles observam tudo para repetir? A diferença é que os pequenos não fingem, mordem de verdade por não saberem controlar a intensidade.

Devemos estar atentos a nossas brincadeiras com os bebês e as respostas deles. Alguns dão muita risada, outros ficam aflitos, demonstram desconforto a determinados tipos de toques, o que devemos levar em consideração para conseguirmos respeitá-las.

Explicar a criança por menor que seja que morder dói e pode machucar o outro é muito importante assim como ir aprendendo a respeitar a reação do outro em talvez não gostar ou querer entrar na brincadeira que pode acabar mal.

Em geral as mordidas acabam acontecendo diante das disputas e quando se sentem contrariadas, enquanto algumas crianças choram outras reagem mordendo, batendo, jogando objetos. É a maneira como ela aprendeu a colocar para fora o descontentamento que pode estar sentindo.

Quando uma nova criança é inserida em um grupo de crianças, há possibilidades de alguma delas sentir-se ameaçada, com ciúmes e desperte a insegurança. Adivinha quem será a elegida para receber a mordida? Como já falamos acima, os pequenos são especialistas em observação e linguagem corporal, sabem detectar medos, timidez, insegurança e costumam se aproximar de quem demonstra vulnerabilidade emocional, descarregando os seus próprios anseios no outro.

De qualquer forma, não devemos rotular a criança como mordedora e nem colocar muito peso sobre a atitude. Deve-se conversar com a criança sempre priorizando a tranquilidade e mostrando as consequências de seu ato. Quanto mais reações mesmo que negativas existirem sobre a mordida, mais reforçamos as atitudes tanto de morder quanto de vulnerabilidade e fragilidade em ser mordido e lembrar que é uma fase que tende a desaparecer conforme a linguagem verbal vá sendo estabelecida.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.