Quando pensamos em uma criança logo nos vem à mente o brincar. Muitas vezes os pais sentem-se culpados por não ter tempo na correria do dia a dia de conseguir sentar com os brinquedos da criança e se dedicar a mergulhar no universo infantil. Entretanto, muitos também não sabem que através do cooperar podemos nos relacionar com os pequenos e ensinar grandes valores para a vida. Qual a relação entre cooperação, infância e família? O desenvolvimento da socialização.

Cooperar significa atuar juntamente com outros para um mesmo fim, contribuir com trabalho, esforços, prestar auxílio. Todos os seres humanos nascem com uma necessidade de pertencimento. Desejamos estabelecer ligações, sermos aceitos para ser amado, no sentirmos importante. E isso já nasce conosco. Com as crianças não é diferente. Desde bebês elas já demonstram o quanto isto é importante para elas.

Cada vez mais estamos terceirizando os cuidados com a educação infantil pela mudança nas estruturas familiares e da sociedade também. Com isto, as crianças sofrem a perda do desenvolvimento de habilidades como responsabilidade e confiança por exemplo. No ritmo acelerado do dia a dia, sobra pouco tempo dentro de casa e quando os pais estão precisam cuidar dos afazeres domésticos, assim ficam divididos entre os pedidos de atenção dos filhos e as tarefas de manutenção e cuidados com a família.

Entretanto, se pensarmos que toda criança quer ser aceita e sentir-se importante, útil, não a incluir na dinâmica familiar é perder a oportunidade de construir ensinamentos preciosos através da cooperação. Como assim? Ao invés de desejarmos que os pequenos se distraiam brincando sozinhos ou com tablets e televisão para que possamos dar conta de cuidar da casa, inclua-o na tarefa que você está desempenhando.

As crianças usam o brincar para desenvolver as suas funções cognitivas e motoras, reproduzindo o que observam os adultos realizando ao seu redor. Quando as incluímos em nosso enredo como protagonistas ao invés de meros telespectadores distantes elas sentem que os adultos confiam nela, ou seja, elevamos a autoconfiança infantil. Se determinamos a criança uma missão, estamos lhe entregando uma responsabilidade, independentemente do tamanho, ela irá se esforçar para honrar e retribuir.

Vamos supor que você está fazendo o almoço, ao invés de deixar o bebê no carrinho olhando com um brinquedo dele (o que em poucos minutos o deixará entediado e desconectado de um adulto), dê a ele algum objeto diferente da cozinha e vá relatando a sua atividade, dizendo que ele está auxiliando segurando isto ou aquilo.

Conforme a criança vá crescendo, vá aumentando a sua participação ativa com coisas reais da casa (de acordo com a sua idade), demonstre o quanto a presença dele e sua função naquele momento é essencial para a tarefa, o quanto auxiliar na família faz bem para todos. Além da inclusão, o desenvolvimento do tempo de tolerância, a construção da generosidade, o encorajar a fazer resulta em aprendizados gigantes e muita conexão familiar incrível, pela atenção e parceria que é estabelecida no sistema como um todo.

Dami Côrtes, Especialista em Famílias, Psicologia Relacional Sistêmica, Psicologia do Desenvolvimento, Neuropsicologia aplicada à Neurologia Infantil, Psicologia Positiva, Mindfulness e Inteligência Emocional.